A Quinta dos Ciprestes

Histórico

Capela da Quinta dos Ciprestes

A construção da Casa dos Ciprestes remonta a 1594, conforme se encontra gravado na padieira do portão, encimado pelas armas do fundador Gonçalo de Morais.

O chapéu eclesiástico que encima o escudo, significa que Gonçalo de Morais foi abade de Santa Valha, tendo recebido o sacramento da ordem depois de enviuvar.

Era filho de Francisco de Morais “O Palmeirim”, autor do conhecido romance de cavalaria do séc. XVI “O Palmeirim de Inglaterra”, e neto de Sebastião de Morais Valcacer que foi Tesoureiro da Casa Real e mais tarde Tesoureiro-Mor do Reino no tempo de D. João III.

No seu tempo, foi instituído o vínculo do morgadio para a transmissão da posse da propriedade, que passou a ser designada por Stº. António dos Aciprestes. O seu filho, Jerónimo de Morais foi o primeiro morgado, mantendo-se sempre a transmissão por vínculo até à extinção dos morgadios na segunda metade do Século XIX.

O último morgado, foi o general de brigada António de Morais Sarmento, Comandante e Governador da Guarda Municipal, na Cidade do Porto, onde faleceu cerca de 1930.

Com mais de quatro séculos de existência, a Casa dos Ciprestes mantém-se na mesma família, continuando a pertencer aos descendentes do fundador Gonçalo de Morais.

A Capela, fundada em 1617, está colocada num plano paralelo avançado em relação à casa. Exteriormente, apresenta um aspecto sóbrio mas o altar-mor encontra-se adornado com bela talha dourada. Nela estão sepultados o fundador, Jerónimo de Morais, e vários dos seus descendentes.

A Casa

Situada no limite sul da antiga povoação de Santa Valha, concelho de Valpaços, a casa dos Ciprestes e os terrenos e logradouros circundantes constituem um espaço de grande qualidade em pleno e agradável convívio com a natureza.

A casa está situada a meia-encosta, no limite Sul da povoação, cercada por campos que pertencem à propriedade, assegurando-lhe por este facto uma privacidade invejável sem prejuízo de um contacto fácil com a população da aldeia, contrastando na brancura da sua fachada rebocada, com o verde escuro dos pinheiros do monte “Crasto”, que se ergue a sul.

A sua configuração tem uma disposição em U com a fachada lateral (principal) aberta para o antigo caminho de Fornos do Pinhal através de oito janelas protegidas por grossas portadas almofadadas de castanho maciço, contemporâneas da fundação da casa.

Os ferros forjados dos varandins colocados mais tarde por um artífice galego, têm inscritos a data e o nome do construtor, bem como o do morgado que lhe encomendou o trabalho.

O portão, aberto num muro alto que prolonga o alinhamento da casa, comunica directamente para um grande terreiro.

À esquerda, uma escadaria bem lançada leva ao alpendre de entrada e a uma grande sala travejada de castanho a que se seguem duas outras de tecto de caixotões - um deles, posteriormente pintado - tendo a última um varandim sobre a Capela.

Perpendicularmente a este conjunto, que constitue a parte mais antiga e nobre da casa, desenvolve-se outro corpo que dá para o mesmo terreiro, constituído pela sala de jantar, com capacidade de sentar 16 pessoas sobre o comprido, a ampla cozinha, totalmente equipada, com a sua lareira e o fumeiro e, contígua a esta, mas sem comunicação interior, a casa dos caseiros e, por baixo, os lagares.

O terceiro corpo corresponde aos quartos que, dado o desnível do terreno, são térreos em relação ao exterior, com uma exposição a poente muito agradável, bordejados por canteiros de flores e espaços relvados e com janelas de venezianas. Uma nota mais para referir que o alpendre da entrada acima referido dá também acesso a uma larga varanda coberta que comunica com a sala de jantar e onde, com tempo bom, pode ser servido um aprazível pequeno-almoço.

Entre este alinhamento dos quartos de dormir e o outro, paralelo, das três salas mais antigas, há ainda duas “varandas” sobrepostas, tipicamente transmontanas, viradas a sul. Uma destas varandas, situada no andar superior, é aberta e destinava-se primitivamente à seca de milho e frutos diversos.

Quinta dos Ciprestes

A Quinta

A quinta, outrora com 70 ha de área, tem actualmente dimensões bastante mais reduzidas por amputação de quase todas as áreas agrícolas. Mesmo assim, mantêm-se algumas culturas tradicionais, tais como oliveiras que produzem uma pequena quantidade de azeite de óptima qualidade e vinha em encosta, de cujas uvas se obtém uma pequena mas excelente produção de vinho elaborado nos lagares próprios ainda existentes e modernizados.

Para sul e poente dos espaços ajardinados em volta da casa, estende-se um pinhal pelas encostas e topos das elevações vizinhas.

Entre estas elevações salienta-se o monte Crasto, já referido, em cujo cimo se podem reconhecer ainda alguns vestígios de povoamentos castrejos, e algumas gravações na pedra. Neste local foi encontrada uma moeda do imperador Antonino Pio (138-168 D. C).

Pelas imediações encontram-se rochedos graníticos de tamanho e forma espectaculares apresentando depressões e marcas atribuídas ao período pré-romano.

No mesmo alinhamento da casa, a seguir à Capela, limitando o caminho do lado direito, um muro de pedra com dois metros de altura cria um terrapleno que nivela o terreno a toda a largura da casa, numa extensão de algumas dezenas de metros. Este terrapleno arrelvado, era bordejado por uma fiada de ciprestes que deram o nome à quinta. Resta apenas um, belo exemplar de porte majestoso.

Paralela ao muro, uma álea ladeada de grandes buxos mais que centenários, o “Passeio dos Buxos”, prolonga-se desde a porta da cozinha ao longo de todo o terrapleno, conduzindo a um tanque de lavar e a uma pia alimentada com água corrente, criando um recanto bucólico e evocativo.

Todos estes logradouros exteriores à casa, proporcionam uma variada escolha, desde refeições ao ar livre servidas em duas grandes mesas metálicas com tampo de vidro dispostas ao sol ou à sombra conforme for mais oportuno, até às sestas ou convívios em noites de verão nos jardins criteriosamente iluminados.

Do outro lado do Passeio dos Buxos, situa-se um campo de futebol relvado em tamanho reduzido e a seguir, num plano superior, uma agradável piscina também provida de sombras naturais e artificiais e cadeiras espreguiçadeiras, que beneficia de uma ampla vista sobre a povoação e os campos vizinhos, com as montanhas para Norte e Nascente desenhando-se como pano de fundo.

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